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Andressa Urach

A ex-capa da SEXY revela o motivo de ter lançado seu livro - em que relata que foi prostituta, que se drogava e que se relacionou com criminosos -, explica como sua vida melhorou depois que se tornou evangélica e diz que, por conta dos procedimentos estéticos que fez, pode morrer a qualquer hora

por_ Juliano Coelho / fotos_ Rogério Voltan


Andressa Urach

Temos bastante coisa pra falar, né? O livro que você está lançando (Morri Para Viver - Meu Submundo de Fama, Drogas e Prostituição, Editora Planeta) conta toda a sua vida ou só começa depois que você entrou na prostituição?
Tudo. Todos os erros da minha vida, desde o meu nascimento até os dias de hoje...

Mas seu nascimento não é um erro...
É que na verdade eu conto que meu pai me rejeitou quando eu estava na barriga da minha mãe, porque ele achava que eu não era filha dele. Depois, contei dos abusos sexuais, que começaram com meu avô de criação... Eu tive uma adolescência muito rebelde: comecei a fumar com 11 anos, usei maconha aos 13. Cometi coisas horríveis quando adolescente e narro no livro, como o negócio do cachorro, o fato de eu ter tido minha primeira relação sexual com meu irmão... Porque, assim, o abuso sexual, pra mim, não foi uma relação sexual. Isso é crime, não tem como considerar na minha mente que ele (o avô de criação de Andressa) foi o primeiro homem da minha vida. Pra mim, o primeiro homem foi meu irmão de criação. É tanta coisa, vamos lá: meu pai me rejeitou quando eu nasci, minha mãe arranjou um novo namorado e os pais dele eram pessoas maravilhosas. Fui morar com eles, porque eu e minha mãe éramos muito pobres. Eu adorava essa minha avó de criação. Fui morar com eles com 2 anos, mas minhas memórias mais antigas começam com 6 anos de idade. Deixei de morar com eles quando eu tinha 8 anos, quando minha avó de criação presenciou...

Presenciou o abuso? Quem abusava de você era seu avô de criação?
Sim. Ela presenciou ele me tocando. Ele falava coisas horríveis: me ameçava e tinha um barrigão. Ele dizia: "Vovô tá grávido. Olha o pezinho do nenê saindo, dá um beijinho". Começo a falar e já me dá embrulho. Foi muito, muito difícil escrever o livro. Eram feridas que estavam ali e eu sempre tentei esconder. Tá sendo um processo terapêutico. A cada entrevista que dou, consigo lidar um pouco melhor. Não foi fácil: teve dias que eu fiquei com muito enjoo e dor de cabeça. Minha intenção ao contar tudo isso é mostrar que o perigo estava dentro de casa. Aos olhos dos outros, ele era o vovozinho bonzinho, entende? Os pais têm que reparar na reação da criança. Às vezes eu era muito agressiva, às vezes muito tímida... Isso me causou sérios problemas. E, no caso da história do cachorro (em seu livro ela relata que recebeu sexo oral de um cachorro), que é horrível e da qual me envergonho muito, resolvi contar porque no interior isso é muito normal. Tem pessoas que se relacionam com vários tipos de animais: galinha, cabra, vaca. Relatar isso é uma maneira de ajudar essas pessoas, que se sentem no fundo do poço, desprezadas, excluídas... Digo que, se meu livro ajudar uma única pessoa, já vai valer a pena. Porque, por seis anos, vivi só para o mal. Escolhas do mal.

Seis anos de quê?
De prostituição. Comecei num bordel, pela necessidade financeira... Assim, casei muito cedo para sair de casa: minha mãe era muito brava, batia em mim... Eu fugi de casa e, com o dinheiro das fitas de videogame que eu vendi, fui morar no meio da favela com um bandido que eu namorava, em quem eu dava uns beijinhos. Depois, ela me achou, foi pra favela com a polícia, me tirou de lá e disse: "Agora você vai morar com seu pai biológico". Só que foi muito bom: meu pai é uma pessoa muito boa, do interior... Eu fui morar com ele e com meu meio-irmão, que era um ano mais velho que eu... A gente ia para os bailes juntos, e a gente acabou bebendo e acabou acontecendo (a primeira vez de Andressa). Depois, fui morar com minha mãe em Porto Alegre e me casei com um rapaz que conheci no colégio. Foram seis anos maravilhosos de casamento: meu sogro e minha sogra eram pessoas maravilhosas, eram a estrutura familiar que eu sempre quis. Meu casamento acabou quando eu fui morar sozinha com meu marido e eu não soube cuidar dele. Eu tinha 21 anos e ele 22, nós dois éramos duas crianças, não tínhamos experiência, tínhamos um filho... Hoje entendo que sou a maior culpada pelo fim do casamento porque eu não sabia cuidar dele...


"Por seis anos, eu vivi intensamente para o mal. Escolhas do mal."


Como assim não sabia cuidar dele?
Não sabia cuidar da casa, não cuidava das roupas dele, da comida dele. Fazia obrigada, queria que ele me ajudasse. Eu era coordenadora de RH de uma empresa de marketing promocional e queria ganhar mais... Coloquei o dinheiro acima de tudo. Enfim, eu era uma criança que queria brincar de casinha e não deu certo. Me vi mãe solteira e endividada. Então pensei: "Ou meu filho passa fome ou me prostituo. O que é pior?". No início queria só dançar. Uma amiga tinha me dito que uma prima dela tinha dançado em uma casa noturna e ganhado R$ 500. Eu fui e, chegando lá, a tentação foi muito maior: ganhei R$ 1.000 no meu primeiro programa. O meu salário do mês inteiro. Foi quando descobri que, quanto mais bonita a garota, mais ganhava. E comecei com as cirurgias plásticas. E aí a vaidade e o dinheiro subiram à minha cabeça. E eu escolhi o mal: fiz muito mal pras pessoas, destruí lares, porque só me envolvia com homens casados, comecei a ganhar muito dinheiro... Foi quando descobri que, sendo famosa, eu ganharia mais. Saí do bordel e fui pra prostituição de luxo. Comecei a aparecer na televisão e disse: "Quero ser capa de revista", e fui capa da SEXY. Ali foi meu auge. Quando fiquei famosa internacionalmente por causa do Cristiano (Ronaldo), cheguei a ganhar R$ 15 mil nos meus cachês. Ele foi o único nome que pus no livro. Não quis expor o nome de outros clientes, porque me envolvi com jogadores, religiosos, atores famosos... Foram muitos. Nunca contei, mas foram centenas e, talvez, milhares de homens com quem eu me relacionei nesses seis anos. Fiz assim pra que estivesse tudo no livro, desde as coisas mais horríveis e nojentas, para que eu pudesse começar, de verdade, uma nova história; tudo tinha que estar ali. Só que coloquei de uma maneira que todas as pessoas conseguissem ler, e também para o livro não ser adequado somente para maiores de idade (a classificação etária do livro é 16 anos). Assim, é nojento, mas é sutil. Então é uma leitura agradável, não é agressiva.

Como foi o processo de escrita do livro? Tem um coautor?
Sim: foram muitas pessoas ouvidas, teve uma equipe de repórteres no Brasil e fora do Brasil, mais de 40 pessoas foram entrevistadas, mais de 60 horas de entrevista, arquivos, documentos, fotos, há todo um material pra que fosse comprovada a veracidade de cada assunto. Ali relatei de tudo, como me tornei um ser humano vazio, oco, que só pensava no dinheiro: descobri que você ganhava muito mais dinheiro se prostituindo se fosse sadomasoquista. Então, aprendi a sentir prazer em bater e em apanhar. Psicologicamente, isso faz muito mal depois, mas eu dizia pra mim mesma: "Pensa no dinheiro, pensa no dinheiro". Passei por muitas humilhações, fiz muitas loucuras: me relacionei com casais, homens, mulheres, homossexuais, novos, velhos, com todo tipo de pessoa. Cada um com as suas taras. E vi isso como uma profissão: criei um personagem, me chamava Ímola. Me chamei desse jeito porque é o circuito em que o saudoso Ayrton Senna faleceu. Eu falava pro cliente: "Ou você se perde, ou chega em primeiro". Era uma estratégia que eu tinha, ridícula, mas funcionava... Dentro do bordel, eu dormia com até sete homens por dia. Por isso perdi as contas. Passei por uma depressão terrível. Quando estava no bordel, ganhava R$ 30 mil por mês, no mínimo. Eu dizia: "Satisfação total ou seu dinheiro de volta", e comecei a ficar famosa no boca a boca. Existia um site em que os homens relatam, em fóruns, como é cada programa. Eu vi que aquilo dava resultado: queria que meus TD?s (test drive) fossem bons, porque meu cachê aumentaria. Na época em que fiquei famosa, pedi pro site tirar o nome Ímola, porque todo mundo ia associar. Acabei, por fim, me envolvendo com bandidos também. Lembro que me apaixonei por um empresário e fiz trabalho de religião, magia negra, macumba, pra que ele se separasse. Quando consegui separar ele da mulher, ele não ficou comigo. Ele disse: "Sou empresário e nunca vou assumir uma prostituta, empresário e prostituta não se misturam". Aquilo me deu mais raiva dos homens e do mundo. Depois, comecei a ter namoros pagos: ficar exclusiva de um único cliente. Ele me bancava por mês e eu era exclusiva dele.

Na sua estreia na SEXY, em 2012, você sustentava uma persona de famosa, não falava abertamente que era prostituta...
Eu negava até a morte! Se eu não tivesse passado por esse problema de saúde, jamais contaria. Quando eu era pobre achava que seria feliz se fosse rica. E busquei a felicidade em tudo: nos homens, nos carros, nos apartamentos. Tive uma cobertura de luxo no Rio de Janeiro, carro importado, bolsas caríssimas, relógios, até um macaco eu comprei e, no fim, o macaco nem gostava de mim. Comecei a buscar a felicidade ilusória na cocaína. Ia pra balada e não conseguia dormir, tinha insônia, tomava álcool todos os dias. Aí eu já estava numa depressão muito grande, só pensava que o melhor era morrer. Tinha uma angústia muito grande, um vazio no peito. Ia pra balada, cheirava, bebia, brigava... Quebrei copo no rosto de uma menina, de um rapaz... Em 2014, estava perdida. Sem rumo. Dinheiro? Tava com 60 mil na conta. Foi aí que começou o problema do hidrogel nas pernas...

Andressa Urach

E você pôs muito hidrogel, né...
Fazia cinco anos que eu tinha posto. Quando eu coloquei o hidrogel, o médico me prometeu que ia absorver, só que não absorveu. O hidrogel quase me matou, mas o pior mesmo foi outro produto que coloquei, o PMMA. Se chama bioplastia, uma cirurgia sem cortes: um líquido que você coloca dentro do músculo. Esse líquido não sai. É muito pior, porque eu vou ter ele para o resto da minha vida.

Você sabia o que estava fazendo?
Se soubesse, não teria gastado o que gastei. Jamais teria aplicado. Pra mim, esse procedimento era o fim dos meus problemas, porque eu tomei anabolizante, fiquei com voz grossa, tive que fazer cirurgia íntima por causa do anabolizante (o anabolizante, quando consumido em excesso, causa um aumento incomum no clitóris da mulher)... então, com aquilo eu teria a perna grossa sem precisar do anabolizante. Só que começou a dar problemas, comecei a sentir muitas dores. E eu nunca acreditei em Deus, sabe? Minha avó morreu tentando me converter e minha mãe sempre foi da igreja. Quando comecei a ter esse problema de saúde, minha mãe se batizou e se converteu de novo. Hoje só estou viva por causa das orações da minha mãe. E, durante o meu coma, eu fui pro juízo final, a morte veio me buscar, e eu acreditei que Deus existia. Eu vivi isso. Precisei ver a morte pra dar valor à vida. E minha conversão só aconteceu depois que peguei a segunda bactéria, quando eu pensei que ia ficar numa cadeira de rodas. Foi na dor, não foi no amor. Se eu não tivesse passado por isso, talvez, estivesse morta por droga. Ou presa, porque estava namorando bandidos. Imagina, eu, vaidosa do jeito que era, me deparar com três buracos na perna esquerda e quatro na perna direita... Eu via o meu osso... O pior dia foi quando coloquei, sem querer, a mão dentro de um dos buracos. Passei por 18 cirurgias, os médicos esfregavam minha carne por dentro. Foi horrível, horrível, horrível... Naquela situação, comecei a ler a Bíblia e conhecer a palavra de Deus, e aquilo me preencheu de uma maneira que falei: "Meu Deus, isso é melhor do que qualquer droga que eu já experimentei".


"A qualquer momento o PMMA da bioplastia, necrosado no meu músculo e no meu glúteo, pode inflamar e eu posso ir a óbito."


Deve ser difícil esconder a prostituição...
Eu sofria muito! Imagina, quando falaram n?A Fazenda que eu era stripper e garota de programa, eu cuspi no rosto da menina (Bárbara Evans). Me envergonho muito daquela famosa cena de cuspe. Se eu pudesse voltar no tempo, eu mudaria. Naquela noite em que eu e o Mateus (Verdelho) nos cuspimos, foi muito por causa da falta de droga. Eu já tinha bebido lá e, na verdade, ele me cuspiu primeiro e eu queria era bater nele, mas não podia por conta do contrato. Aquilo era tudo raiva, angústia, mágoa. Hoje eu entendo que tudo isso aconteceu porque tinha que acontecer. É horrível, é triste, é nojenta, mas é a minha história. Entendi que a conversão é a melhor coisa do mundo. A Bíblia fala que, quando você conhecer a verdade, ela te libertará, e é verdade. A Bíblia diz que Jesus não veio para os justos, veio para os mais pecadores. Ele perdoou uma prostituta. Tenho certeza de que hoje só estou viva porque ele me deu essa missão. Se ele me pediu o restinho de dignidade que talvez eu tivesse, se é que eu tinha, pra expor essas coisas horríveis, que seja feita a vontade dele pra que eu possa glorificar o nome dele.

Você não acha que se culpa muito?
Não, eu me culpava muito. Hoje eu me perdoei. Só que não é fácil você se perdoar e perdoar quem te fez mal. Hoje eu oro pela alma do homem que me abusou. Que Deus tenha misericórdia da alma dele. É questão de fé. Quem somos nós pra julgar, se quem vai julgar é Deus? Pra ele não existe pecadinho ou pecadão, tudo é pecado. E ele perdoa. Ele tá ali pra todos, entende? E hoje eu tenho essa paz interior: eu me libertei das drogas, da insônia, da bebida. Só quem vive isso sabe o quanto é difícil. Eu tenho paz, deito a minha cabeça no travesseiro e tenho paz. Eu errei, mas quem nunca errou? Decidi fazer uma nova história. Sei de onde eu saí e não quero mais voltar pra lá. Muita gente pergunta se isso não é passageiro e digo: "Não posso provar pra ninguém agora. É o tempo que vai provar que mudei, que consegui". E, se eu consegui, todo mundo consegue. Olha a paz que tenho hoje! Eu aprendi a ser mãe: eu cuido dele, a gente faz lição de casa junto, a gente vai pra escola junto...

Fica difícil a vida de quem passou pelo que você passou tão novinha...
É horrível e só quem passa por isso sabe o quanto faz mal. Só quem vive pra saber quanto ódio e quanta mágoa você cria no coração. Só que eu escolhi o errado. Quantas mulheres passam por abuso e não se prostituem? Não posso colocar a culpa no abuso. As escolhas erradas foram minhas. Eu tinha coragem pro erro, pro mal. Quando namorei bandido...

Bandido de que área? Só pra saber...
Tudo. Desde traficante, ladrão de cargas, bicheiro, todos os tipos. Acabei optando por eles por isso: pelo prazer, pela dor, pela agressão física, pelo medo... porque eu já não conseguia me relacionar sexualmente com carinho, com aquela coisa normal. Eu precisava da dor, do medo. Isso fazia eu sentir prazer...

Como você vê a sua aceitação agora na sociedade e na igreja?
A Igreja Universal me recebeu de braços abertos. Foram os pastores que estavam no hospital com a minha mãe. Meu primo era bandido e é convertido também. Quando relatei minha história dentro da igreja e na própria Record, eles me receberam. Claro que a sociedade em si não vai entender. Mas eu não sei se vou atravessar a rua e morrer e eu quero minha alma salva. Sei que Deus já me perdoou e acredito no que está na Bíblia. Hoje, pra eu ter uma relação, vai ser conforme o que está escrito na Bíblia. Relacionamento sexual só depois do casamento, o homem precisa ter a mesma fé que a minha. Acredito que, no mundo, deve ter pessoas que viveram situações de quase morte, como eu, que se preocupam com a salvação da alma. Eu sei que Deus vai me dar força pra suportar o preconceito do mundo, porque muitos vão apontar, julgar, jogar pedras.

Hoje você é mais famosa do que antes.
Só quem lê o meu livro vai entender porque tanta exposição e tantos detalhes. Quem me sustenta hoje é Deus e eu sei que ele não vai permitir que eu caia, porque ele não quer que eu envergonhe o nome dele. O tempo vai mostrar. É muito recente, vai fazer um ano que aconteceu (a conversão de Andressa), só que eu precisava confessar meus erros. É uma forma de ajudar as pessoas e de agradecer por estar viva. Quantas pessoas morrem e não têm uma segunda chance? Eu entendo e talvez, se eu estivesse no lugar delas, pensaria igual sobre mim.

Você fala com as outras mulheres do seu círculo anterior, que se prostituem? Você chegou a querer ajudar algumas delas?
No início eu precisava me isolar de todo mundo, porque estava em um processo de desintoxicação de tudo. Hoje, tenho tranquilidade pra conversar e ajudar. Porque é muito difícil a menina sozinha sair do mundo da prostituição. A prostituição é vício, o dinheiro é vício. Conheço muitas famosas - modelos, atrizes, cantoras - que fazem programa direta ou indiretamente. Ou são bancadas por empresários ou recebem cachê por horas de sexo e elas não conseguem sair.

E elas querem?
Querem. Porque o amor ao dinheiro é tanto, o amor à bolsa caríssima é tanto, o amor àquele status é tanto, que não conseguem se libertar disso. Elas estão em casa depressivas, tomando remédio, chorando, bebendo, mas continuam se prostituindo. Então... só Deus mesmo.

Andressa Urach

Então, você acha que não existe uma saída que não seja ...
Que não seja Deus. Que não seja Jesus. Porque eu fui de todas as religiões e nenhuma me confortou como a palavra de Jesus que está na Bíblia. E eu espero que Deus me dê vida e saúde, porque o que os médicos dizem é que tenho dentro de meu corpo uma bomba-relógio. A qualquer momento o PMMA da bioplastia, necrosado no meu músculo e no meu glúteo, pode inflamar e eu posso ir a óbito. Mas, se eu creio no que está na Bíblia, Deus já me curou, porque ele é o Deus do impossível.

Você usa umas palavras fortes: "Fiz o mal", "enojada"...
Se você achar que o errado é bom, continua no erro. É importante detestar o erro - porque Jesus odeia o pecado, mas ama os pecadores. Então, se eu disser: "Eu gosto de bebida", você acha que não vou voltar pra bebida? Eu vou. Tenho que trabalhar isso na minha mente: eu não gosto, eu não quero, é horrível... Porque é, entende? Me faz mal! Por que vou dizer que é legal um negócio que quase me matou? Só não me matei por causa do meu filho. Eu achava que pra mim não tinha mais jeito. Eu me via cometendo suicídio. Eu já tinha feito até seguro de vida. Sabe uma mente doentia? Eu tinha. Porque a mente é o nosso maior inimigo, nossos pensamentos. O pensamento vem e, se você aceitá-lo, sua vida tá destruída.

Eu queria que você definisse o Diabo...
É muito delicado falar, porque ele existe. Veio pra matar, roubar e destruir. Só que não posso obrigar ninguém a acreditar, então tudo o que eu falar não vai adiantar.

O que é essa figura pra você?
É o acusador. Ele que coloca os pensamentos, que sopra a culpa, que faz a pessoa ter mágoa, ter ódio... Ele domina a pessoa através disso. Ela é influenciada a fazer, só que a decisão é dela. Ele sopra uma ideia e a pessoa diz: "Vou fazer". E ele quer a tua alma. Só isso (risos)! A minha ele não vai levar! Ele não quer que você se converta, é uma alma que ele perde. Você fazer o certo é errado pra ele.

O que te fazia feliz naquela época? Ou, melhor, o que te deixava alegre?
O dinheiro. Não era nem estar com meu filho, porque eu mal parava em casa...

Não tem nenhuma recordação daquela época mais ou menos positiva?
Sinceramente... assim, o momento em que eu fui feliz foi quando eu era casada. Eu tinha minha família: meu sogro, minha sogra, minhas cunhadas, meu ex-marido, os valores da família, o amor, o carinho, o respeito. Nesse momento fui feliz. Eu nunca tinha analisado isso, mas eu acho que o momento em que eu fui feliz mesmo foi quando decidi ter o meu filho, quando achei que o casamento seria pra sempre. E eu não tinha dinheiro. Pra você ver como a felicidade é tão simples.

E não deu certo. Mas o casamento não dá certo porque, muitas vezes, o casal simplesmente não se entende...
Quando a gente decidiu morar sozinho foi quando nosso casamento acabou: aí veio o ciúme, porque eu coloquei a prótese de silicone, vieram as brigas, minha vontade de ter dinheiro... Coloquei o trabalho na frente do relacionamento. Eu não sabia tratar ele com carinho, eu gritava, eu brigava... A pessoa vai cansando...

Mas quando termina é culpa dos dois...
A culpa é dos dois porque os dois eram crianças. Mas você tem que saber ser uma esposa pra manter um casamento. Eu não sabia ser uma esposa. Eu não sabia cuidar dele... Porque a maioria dos casamentos hoje não dá certo? Porque a mulher coloca sua vaidade, seu trabalho, seus filhos na frente do seu marido.

Acho que você está se culpando muito...
É... mas eu não posso culpar os outros. Não podemos apontar o dedo pra ninguém. Quando você aponta o dedo pra alguém, tem três dedos voltados pra você, entende? Eu reconheço os meus erros. Ele era um homem maravilhoso, de família, trabalhador, educado... tinha muitas qualidades. Porque todos nós temos defeitos. Eu não soube lidar com o papel de esposa. Mas, assim, se eu tivesse cuidado dele, brigado menos, cobrado menos, se eu tivesse dado amor, carinho e atenção, meu casamento não teria acabado.

Já vi muito esse discurso vindo inclusive de pastores: "Ah, o chefe da família..." Não é machismo?
Com relação à mulher ser submissa? Mas a mulher tem que ser. O homem é o cabeça.

Porque o homem é o cabeça, Andressa?
Porque o homem é homem, entende? Ele foi criado pra caçar, pra fazer o trabalho de força. Na época das cavernas a mamãe não cuidava dos filhinhos e o papai não trazia a comidinha? Foi criado assim! Só que o problema das pessoas é exagerar. Não é errado a mulher trabalhar, ser independente, ser vaidosa, só que ela não pode colocar o trabalho e o dinheiro em primeiro lugar. Ela tem que cuidar do marido dela, tem que ser uma auxiliadora, uma companheira. Se você tem uma esposa, você quer ficar exibindo ela para os outros? Depende se você tem prazer com isso, mas acho que a maioria dos homens quer guardar o que é dele pra ele...

Gosto que minha mulher seja bonita...
Bonita, sim. Mas e se ela coloca um decotão, um peitão pra fora, uma bermudinha super justa...

Ué, sem problema. Eu acho legal!
Acha? Eu não sei. Vai de cada um, entende? Mas por que eu vou correr esse risco de cruzar um cara que vai falar um palavrão? Pode gostar, mas por que correr esse risco? Por que expor meu marido dessa maneira? Você vê que a fé muda tanto uma pessoa que eu, Andressa Urach, estou tentando te explicar por que não é bom que a mulher se exponha tanto (risos)!

Que bom que você topou falar com a SEXY, porque imaginava que a gente representava seu passado (risos)...
Eu também! Porque, assim, representa o passado. A SEXY, o Miss Bumbum, tudo fez parte de minha história. Me arrependo dos meus erros e hoje, se você me perguntar se quero posar de novo, digo: "Não", agradeço e respeito. Na época eu precisava, porque queria me prostituir e ficar famosa e, pra isso, queria ser capa de revista. Hoje não é mais esse o meu sonho.

Andressa Urach



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