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Bruna Viola

por_ Bianca Castanho / fotos_ Bárbara Bombachini


Martinho da Vila

O que você vai querer beber?
Olha, eu só não bebo etanol (risos). Brincadeira, vamos de cerveja, e no copo americano que é mió, bem de boteco.

Você sempre usa chapéu?
Ah, sim. Só não deu pra nascer com ele, mas agora sou eu. Gosto demais, é muito sertanejo. O chapéu é aquela coisa da galera country, é do que eu gosto. Desde pequenininha eu usava calça, botininha, nasci com esse gosto.

Quem te influenciou nesse estilo?
Eu e minha irmã fomos criadas do mesmo jeito, íamos para a fazenda igual, só que eu tenho gosto por bicho, por mato, e minha irmã é uma princesa, uma patricinha. Acho que isso já vem na pessoa. Já a influência de música de raiz veio do meu bisavô. Como eu estava sempre na fazenda, e ele ouvia esses modão antigo, me apaixonei.

o que ele ouvia?
Ah, ele sempre ouvia Tião Carreiro e Pardinho. Inclusive Tião Carreiro era amigo dele, frequentava a fazenda. E a galera das antigas, né, Zico e Zeca, Zé Mulato e Cassiano... Umas duplas antigas que só eu conheço (risos). A herança da música, de tocar instrumentos, veio dos meus avós maternos. Aos 9, 10 anos eu tocava violão, meu avô me ensinava. Com 11 anos ganhei a viola e comecei a tocar. A gente sempre teve muitos amigos no meio de eventos, e a galera começou a fazer convites para eu tocar em festas, em programas. E o negócio começou a ficar sério. Aí tive que me profissionalizar.

Gosta de outro tipo de música?
Sou eclética para caramba. Adoro samba, pagode, MPB, pop rock. Ouço de tudo, até para poder criar uma linguagem mais jovem na viola. Não toco aquela coisa antiga do Tião, crio uma coisa mais moderna por influência do que eu ouço. O conceito de ser música de velho está acabando, graças a Deus. Hoje em dia, a moçada do universitário está regravando uns modão, umas coisas diferentes ? a galera sabe que tudo começa aqui, no raiz. Venho conquistando aos poucos esse público do universitário, agora eles vão pros shows e cantam os modão!

Como você vê o sertanejo hoje?
Está crescendo. A galera está começando a resgatar as raízes, e a inovar. Eles misturam sertanejo com funk, com samba, e acho que só vai crescer. É uma mistureba de estilo. Se o público aceita a mistura, vam?bora. Não tenho preconceito com nada, mas gosto de música boa.

O que é música boa?
Sem muita besteira (risos). Tem umas modas hoje em dia... Prefiro que não faça apologia a droga, bebedeira, coisa errada. Música boa é a que tem letra, começo, meio e fim.

E a cultura de beber até cair no sertanejo?
É muita bebida, né? A galera gosta de uma cachaça braba. Trabalhando, eu não bebo. No meu camarim não entra bebida, é proibido. Bebo com os amigos, em casa. Gosto muito de cerveja, não gosto de uísque e vodca. Gosto do Velho Barreiro (risos). Vodca e uísque não agrada não. Vodca é o trem mais horrível do mundo! Dá Alzheimer! Quem nunca, né (risos)? Dei um pt em Cuiabá uma vez que não vem ao caso. Gosto é da breja. E uma pinguinha.

É Você quem escreve as músicas?
Não! Não tenho dom nenhum para compor, esse dom não veio para mim. Crio muito arranjo na viola, mas escrever, nada. Nem poema eu sei escrever. Cantar, para mim, foi uma consequência, porque gosto de tocar, mas, quando formava roda, não dava para ficar só tocando, né? Eu tive que aprender, não nasci canarinho, não. A fama mudou sua vida?
Mudou nada, rapaz. Continuo a mesma pessoa de sempre. Tenho reconhecimento, vou para os lugares, as pessoas conhecem, mas sou a mesma.

Você está solteira?
Solteira, sempre (risos)! Não quero namorar. Mas acho que não atrapalha a carreira. Só se o caboclo for chato, né? Porque tem fã, assédio, viagem, um monte de coisa...

Muito assédio?
Mas sempre muito respeitoso. Você não pode desrespeitar o fã que ele não vai ter coragem de te desrespeitar também. Trato com muita brincadeira, é muita zoeira no camarim. Tem a molecada que chega cantando, chamando minha mãe de sogra, mas tudo na zoeira.

Você pegaria um fã?
Por que não (risos)? Não é fã, é uma pessoa, se ele curte o problema é dele (risos). Mas não trabalhando, pode rolar um contato... No camarim, hotel não, mas fora do trabalho... Pra isso que servem Directs e os inboxes, né (risos)?

Se você não mexesse com música?
Eu ia ser médica veterinária! Comecei a estudar, mas já fazia muito show, e o curso era integral. E eu trabalhava, pagava a faculdade, mas aí não deu mais. Escolhi a música, porque tinha que aproveitar o boom. Não me arrependo, mas tenho saudades. A minha turma vai se formar em 2016, eu vou na festa, como se fosse eu lá.

Quando você está no Mato Grosso, O que você curte fazer?
Gosto de mexer com bicho, de andar a cavalo, de fazer prova de laço. Gosto de balada também, mas uma vez a cada três meses, vai. Prefiro mil vezes fazer um churrascão, breja e moda, do que balada... Tenho uma fazendinha lá no Mato Grosso. Quando volto pra lá, chego e vou direto. Sinto muita falta.

Você sempre frequentou rodeios?
Sempre, eu gosto demais, apoio para caramba. Esse povo fica inventando moda... Os bois são mais bem tratados que eu. Tem boi de meio milhão, de um milhão e meio na arena, acha que vão maltratar? O boi recebe massagem, é bem tratado. Tem rodeios clandestinos, que a gente não apoia. Nos que estão dentro da lei, não tem essa de maus-tratos.

Como você gasta seu dinheiro?
Uso para pagar minhas continhas, aluguel, conta do celular, internet... Agora comprei uma fazenda. Gasto com isso, com cerveja, com churrasco, com os amigos. Tem o profissional e o lazer. Tenho um carro bom, mas dou um passo conforme a perna. Minha mãe sempre me ensinou isso. Não preciso de luxo, só preciso ter muita roupa porque sou uma pessoa pública. Ter uma calça, camisa, short, bota e chinelo. Sou uma pessoa muito fácil de resolver, tenho duas borsas que estão velhas de tanto usar. E tenho várias botas de show, porque o lado artista é mais cheio de coisa.

Você é uma pessoa romântica?
(Risos) Sou! Gosto de rosas, de flores. Sou bem chucra, bem bruta... Escreveu não leu eu empresto os óculos. Mas sou romântica demais em relacionamentos, de carinho, flores. Gosto desse trem aí. Eu dava rosas azuis para um namorado. Ah, mas não gosto de filme romântico, ninguém merece. Nunca escrevi música para ninguém.

Você já foi pra fora do país?
Não... Nem tenho muita vontade. Queria conhecer o Texas só, mas o Brasil é bonito demais, tem muita coisa para eu conhecer ainda. Tenho um sonho de criança, que é ir para um lugar onde eu veja baleia, sabe? De Free Willy. Meu sonho é ver uma orca e ir pro Texas, para o maior rodeio do mundo. Ruim é o avião, porque eu odeio voar, morro de medo.



BEBIDA DA VEZ_
Bruna bebeu cerveja Brahma no Piratininga Bar

Piratininga Bar_
Rua Wisard, 149, Vila Madalena, São Paulo, SP - Tel.: 3224-1251



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