ASSINE SEXY CLUBE
Pesquisa

DI FERRERO

por_ Juliano Coelho e Bianca Castanho / fotos_ Jonas Tucci


Di Ferrero

O NXzero lançou disco novo, o norte. e é outro tipo de som. como vocês chegaram a isso?
A banda passou por uma espécie de crise existencial musical. Sempre fomos de dar rolê junto, mas estávamos muito distantes. Ou mudava alguma coisa ou cada um ia pro seu canto. Largamos a gravadora (Universal Music), falando que queríamos fazer outra parada. No último disco, o papo era de colocar uma balada para garantir, e aquilo me deixava louco! Era melhor colocar um terno e trabalhar em banco se fosse pra ser assim, sabe? Montamos nosso escritório e fomos a uma casa na praia, em Juquehy, criar o disco. Ficamos um mês. Conversei com o pessoal das antigas, tipo Skank, Capital Inicial, e eles: "Ah, é a primeira vez que acontece isso? É só a primeira vez". Isso é normal! Mostramos o disco para alguns produtores e aí o Rafa Ramos, da Deck, ficou tão empolgado que fomos com ele. É uma oportunidade de os produtores pegarem o NX e fazerem um som sem regras. Ouvimos muita coisa... Motown, música brasileira... A gente era moleque, andava de skate, só ouvia hardcore e música gringa.

O que você vai querer beber?
Eu não vou beber, estou com refluxo. Que merda, queria muito! A gente vai ter nossa cerveja agora. A Bamberg vai fazer. Pô, eu tenho um barzinho lá no Rio, sabe? Se chama Barzin, em Ipanema. Estou entendendo agora as paradas de cerveja, os moleques da banda são vidrados.

Parece ter influência de Arctic Monkeys no último disco...
Ah, sim, não só do Arctic, mas no geral do rock inglês. A gente era muito da Califórnia, e agora fomos muito para a Inglaterra, que vai para uma canção mais sofisticada. Um dos caras que eu mais gosto é o Frank Ocean, ele é pica, tem um grave foda. Eu queria aumentar minha extensão um ano antes de gravar o disco, queria chegar em graves e falsetes que eu não chegava. Eu era muito inseguro de fazer algo assim, os moleques também.

Como será que os fãs vão reagir?
Para ser sincero, nem sei se isso vai fazer diferença para alguns fãs, mas para outros, sim. Para o fã que berra, é qualquer coisa. Mas para aquele que vem trocar ideia de som, que é o que eu piro, vai ser legal, e é um papo que está rolando. Tipo, outro dia veio um cara e disse que passou a infância me ouvindo. É irado isso, porque tem muita gente infeliz com o que estamos fazendo. Eu entendo! Tem bandas que ouvia e parei de ouvir, e de repente os caras dão uma pirada. Acompanha o crescimento.

O comportamento da banda mudou?
O que tinha de ranço, de falar alguma coisa que o outro podia não gostar... Isso mudou. Ficou tão mais leve... E isso influencia o som. Eu posso mostrar umas merdas pros caras, eles não vão me julgar. Isso é o conceito de banda que estamos aprendendo.

O fã de vocês também envelheceu, né?
Sim. Eu fico feliz com esse movimento, que depois foi rotulado de emo. Você conhecia as bandas antes de irem pro rádio. Tinha o Fresno, o Forfun, o Hateen, Sugarcane, Aditive... E depois que a gente assinou, virou febre o negócio. A gente tinha medo, eu não gostava daquilo não, aquela gritaria. Era uma coisa muito doida porque a gente não gostava daquela coisa boy band, e o som era pesado, não era uma banda montada. Tanto que na nossa primeira reunião a gente foi com a cara fechada, querendo assinar, mas mantendo a pose. A gente sempre manteve essa parada. Eu lembro que um primeiro prêmio que recebi, fui na MTV e gritei: "Emo é o caralho!". Tive que fazer isso.

A parada do emo não te incomoda?
Nunca me incomodou. O que me incomodava era ter um rótulo, colocar a gente em um lugar antes de ouvir. Pro pessoal da Fresno foi mais complicado, mas pro NxZero, não. Quem veio xingar levou de volta. Eu não sabia nem o que falar, porque eu tinha uma banda, show no dia seguinte, disco vendendo e 20 anos, sabe? Em Razões e Emoções eu tinha 20 anos, e tocou pra caralho.

Tocou até demais, né?
Tocou demais! E eu não vou tocar pra sempre, tem show que a gente nem toca. Mas quando toca, é carnaval!

E esses aplicativos tipo Rdio, Spotify, têm feito diferença?
A gente pegou a raspa do tacho. Já não éramos iludidos com essas coisas de CD. Ganhamos platina e sei lá o quê, mas isso não faz nenhuma diferença, na real. Acho que é um jeito mais legal agora. A qualidade está melhor, a acessibilidade é melhor, o cara vai baixar mas ele está na minha página, que tem a minha identidade. Pô, paga aí uns dez reais, sabe (risos). Muita gente fala que... como é que o Chitãozinho falou? Perguntaram quanto era o cachê, e ele respondeu que "é bem mais do que preciso e bem menos do que você acha". Eu vou levar essa pra mim, porque no estilo que a gente está, nós podemos nos dar ao luxo de lançar um disco e acreditar que isso vai fazer diferença. Eu não tenho do que reclamar, de cenário, de nada. Nunca vai ser do jeito que a gente quer, e nunca vai ser do jeito que falaram que ia ser.

(chega o pão de queijo recheado com pernil do cardápio)
Cara, nunca tinha pensado em misturar pão de queijo e pernil... Faço umas criações loucas, tenho um fat spirit fodido. Minha tapioca ontem foi foda! Coloquei dois queijos, peito de peru, pasta de azeitona, manteiga... E a Isa (Isabeli Fontana, namorada de Di) tinha me falado que era a mais pica, e fui tacando coisa.

Isso tá com uma cara de larica...
É larica demais! Mas eu estou num mês de boa... Ressaca dá fome pra caramba! Eu adoro quando rola degustação no Barzin. A gente faz uns drinques... Aí falei que ia fazer o Isabellini, que é um bellini incrementado. Ia pôr algo azul, por causa do olho dela. Mas azul não dá vontade de beber, né?

E como é isso aí, você no Nx, a Isabeli deve viajar pra caralho...
É, é ruim e bom. Não tem rotina. Fico com mó saudade. Agora ela está chegando da Colômbia, e vou buscá-la no aeroporto. Tem que fazer isso.

Você ficou muito tempo noivo e foi num momento em que você podia aproveitar sua fama...
E fiquei uma cara assim. Mas antes ficava doente de tanta festa, curti pra caralho. Aí fiz 28 e começou a me dar umas piras.


Di Ferrero


Umas piras tipo o quê?
Eu estava nessa fase do NX, de querer fazer outra parada. Aí tiramos os meses de férias, e nessa volta eu estava fazendo o Altas Horas e conheci a Isabeli lá. Aí trocamos ideia de música. Na real, você começa a não curtir a facilidade das mulheres, sabe? Não me achando, mas tem mulher que vai pro show, fica no camarim... Tem uma hora que você quer que ela vire pizza. Eu gostava de ficar com os moleques, ouvindo música. Eu sou 100% com a minha mulher, a gente faz tudo o que a gente quer. Entre quatro paredes... Sair pra jantar... Eu nem acreditava que existia isso! Eu achava que o melhor jeito de viver era ter uma "fuck friend", que você pega e fica de boa, você não quer que a pessoa vire pizza.

Você está no Tinder?
Não tô, não! Nem tenho Facebook, só o Instagram, que é pessoal. Mas eu aproveitei essa parada de rockstar. Fiquei satisfeito com tudo. E uma hora enche o saco, você precisa de alguém pra trocar ideia que não seja sua mãe, seu irmão ou seu melhor amigo. E eu acho que assim, sem querer ser clichê nesse papo, você tá com uma mina tipo a que eu estou... E nem porque ela é bonita - porque, puta que o pariu, ela é muito gata! Mas ela tem alma de artista também, então não tem por que eu viajar. Se eu quiser fazer qualquer coisa, de qualquer loucura, ela vai ser a primeira a saber. Isso é irado, fortalece até a banda, escrevi uns sons pra ela.

Como é que vocês lidaram com essa questão das drogas?
É muito fácil, né, cara? Todo mundo tem família, tipo minha mãe sabe tudo o que eu faço, e ela é "seventy?s, peace and love". Desde o começo eles tiveram essa preocupação, mas todo mundo estava ligado. A gente cuidava um do outro. A gente vai até um ponto, e todo mundo já passou, mas não foi todo mundo junto. Sempre teve um que chegou e falou. E todo mundo sempre se ouviu. A gente via outras bandas que a gente curtia tretarem por causa de droga. O cara não fazia o show direito, outras paradas. Todo mundo quer te agradar, desde o cara que contrata o show levando "as puta" no hotel, que te oferecem Deus e o mundo, mas você está ligado... A gente pira ficar no quarto, levar uma viola, ficar na nossa vibe de Jah, ouvindo reaggae music até o talo.

E sobre legalização?
Sou a favor da legalização da maconha, mas tenho medo. No nosso país, é muito difícil as coisas darem certo. Eu entendo, o país é muito grande, mas não justifica o que a gente vive, gastar 300 paus no supermercado numa compra que você fazia pela metade há um ano, comprar um apartamento e ter o pior sócio do mundo, que é a Dilma. Ou quem precisa usar o SUS. Mermão, só de eu não ter que depender do governo, não tenho o que reclamar. Tem tanta coisa pra gente arrumar antes. Mas é questão de tempo. Vou até procurar uma fazenda pra investir, porque isso vai dar muito dinheiro.



BEBIDA DA VEZ_
Di Ferrero, com refluxo, não podia beber, mas não resistiu a dar uns goles no chope Kwak e na cachaça Engenho Pequeno, da carta do Aé Sagarana

AÉ SAGARANA_ Rua Aspicuelta, 268, Vila Madalena | São Paulo, SP. | Tel 2768 2004




MAIS ENTREVISTAS

.