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Diogo Portugal

por_ Bianca Castanho / fotos_ Larissa Dare


Diogo Portugal

Vamos dividir qual bebida?
Quando eu era mais novo, eu gostava de tomar gim tônica. Cerveja é o básico, né? Quando eu era mais baladeiro, gostava de uísque com energético, mas eu ficava muito aceso. Sabe qual o drinque que eu adotei agora? O Jack Coke. Li que era o drinque favorito do Lemmy, vocalista do Motörhead. Coca-Cola fica incrível, rola um gostinho amadeirado. A combinação de ser um negócio bem Mississippi com a Coca-Cola ficou bom.

Como você entrou no humor?
Eu não cresci no ambiente da comédia, meu pai era desembargador, sabe? Mas acho que a comédia sempre esteve em mim. Eu era aquele cara que era expulso da sala, que falava coisa na hora errada e a turma ria. Aquilo já era uma formação de plateia, entende?

Como você chegou no stand-up?
Quando comecei, as referências ainda eram Chico Anysio, Tom Cavalcanti... Fazia show em barzinhos, comecei a ir a muitas casas de bacana para fazer shows, e foi aí meu grande exercício. Um grande ponto de virada para mim foi quando precisei sair de Curitiba. Uma produtora amiga minha trabalhava em São Paulo e me falou que tinha uma noite chamada Terça Insana que tinha a minha cara. Aí eu cheguei na noite da Terça Insana e tinha umas 40 pessoas, mas você via que era só um pessoal hypado, só gente cool, e no elenco tinha uns caras que eu já conhecia, como o Marcelo Mansfield. Ao invés de ficar indo para outras cidades, comecei a trazer os comediantes para Curitiba. Eu me baseei na Terça Insana porque um dos sucessos era que acontecia na terça. Segunda você ainda está de ressaca do final de semana, quarta tem jogo de futebol, e terça não. Aí escolhi esse dia, e dei o nome Cabaré de Diogo Portugal e Convidados. E foi aí que entrou o stand-up. Eu adorava Seinfield, e decidi que seria o mestre de cerimônia da noite, e ia abrir com stand-up. E começou uma série de acertos e erros, do tipo de ninguém rir...

Mas mesmo assim, foi bem recebido?
Ah, cheguei até a usar piadas que não eram minhas no começo, mas precisava pisar num terreno novo. Dois anos depois, a (humorista) Marcela Leal me disse que eles estavam fazendo um núcleo de stand-up em São Paulo (Clube da Comédia). Começamos a fazer aos domingos à noite, o borderô (orçamento para a produção), uma merda, não pagava nem as contas. O Jô foi ver uma apresentação nossa, e quando ficamos sabendo que ele ia, pense em um elenco nervoso! E, depois disso, eu tive a sorte de ser chamado para o programa dele. Com o tempo minha agenda ficou tão lotada que precisei me desligar um pouco do Clube da Comédia. Logo, o Danilo Gentili entrou no elenco. Eu não queria entrar depois dele no palco, porque ninguém ia rir de mim. O cara era genial! Foi ali que aconteceu o fenômeno que foi o CQC... Não me chamaram para nenhum teste. Até hoje nunca entendi por que nunca fiz um teste pro CQC.

Há temas difíceis de tratar?
Tem temas delicados. Eu mesmo acabei de receber um processo. As feministas, junto com o Ministério Público, falaram de uma piada que eu fiz. Eu falava sobre o frio, porque as pessoas vinculam o frio com dia dos namorados. Campos do Jordão, fondue, aquele frio, você acha que é romântico mas não é, porque vai estar frio, sua namorada não vai querer dar pra você. Eu acho que foi aí que surgiu o estupro. Na hora todo mundo ri, mas aí falaram que eu estava induzindo o estupro, falar a palavra estupro é proibido. Aí estou com um processinho aí, já gastei 5 mil.

Me conta do Fritada.
Ao longo do tempo, fui criando alguns produtos, como Portugal É Aqui e Acusticuzinho. A Fritada foi puro empreendedorismo e investimento mesmo. Quando conheci o formato Roast (Fritada dos EUA), achei legal vários comediantes se divertindo e tirando o sarro de alguém. A primeira Fritada foi com a Rogéria, aí fizemos a segunda, Rita Cadillac. Chamamos o Rafinha, o Danilo, já tinha o CQC e os caras estavam bombados. A grande sacada de a Fritada ter virado foi que, em vez de ter fritado uma pessoa conhecida, eu optei por fritar um menino que estava começando a bombar, que era PC Siqueira. Eu queria pegar esse público. A gente fez o Alexandre Frota, Miele, Fernando Caruso. Ríamos muito.

E se você fosse fritar Diogo Portugal...
Eu sou altamente fritável! O que eles mais pegam no meu pé hoje em dia é por eu ser mais velho, porque eu tenho 10 anos a mais que toda essa galera. Eles pegam muito nessa coisa de careca, de velho, distraído - e eu sou lesado mesmo. Marcela Leal uma vez disse que, quando vou no banheiro, chacoalho o pinto do cara que está do meu lado de tanto que sou lesado.

Você acha que o mundo está mais chato?
Pra caralho, senão eu não teria sido processado. Você acha? Uma piada em que comparo o frio com a mulher tirando o pijama e aí eu viro estuprador? Porra, eu tenho uma filha de quatro anos, será que eu acordo todo dia de pau duro querendo estuprar uma pessoa? Ou será que eu fiz uma piada? O que me deixa puto no Brasil é essa falta de vontade de entender a piada.

Se você não fosse humorista, quem queria ser?
Com certeza um rockstar, um cara de banda. O cara é todo o conceito do que não pode fazer (risos). Uma vez eu fiz um show para uma empresa e no final entrava o Jota Quest. Cara, tinha uma fila enorme de gatas para entrar no camarim deles depois do show. Um monte de mulher linda, e eu só olhando. Ninguém quer ir pro camarim do humorista! Então eu acho que eu queria ser o Jota Quest (risos). Mentira, queria ser o Mick Jagger, sei lá, qualquer cara foda assim. Mas só no sonho!



BEBIDA DA VEZ_
Diogo bebeu um Jack Coke e caipirinha de Caju, no Piratininga Bar

Piratininga Bar_ Rua Wisard, 149, Vila Madalena, São Paulo, SP - Tel.: 3224-1251



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