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Marcelo D2

O músico comenta a volta definitiva do Planet Hemp, fala sobre a violência policial que ainda assola o país, relembra a primeira vez que viu seu ídolo Bezerra da Silva, conta histórias da época em que serviu o exército e responde à pergunta: será que um dia vai parar de fumar maconha?

por_ Rômulo Pereira / fotos_ Guillermo Giansanti


Marcelo D2

2016 de muito trabalho, Marcelo?
Cheio, meu irmão! Turnê da volta do Planet Hemp, produção do DVD do Planet, lançamento de DVD solo e shows solo também. E estou escrevendo um disco novo e a gente ainda deve lançar alguma coisa inédita do Planet.

Seu último álbum, o Nada Pode Me Parar, é de 2013 e só agora você tá lançando o DVD...
A gente gravou esse DVD em fevereiro de 2014. Foram dois anos para lançar. Teve muito problema. Eu tive muito problema com sample. Porque é foda, cara. Não se tem muito a cultura. O espólio, que são os filhos, geralmente quer uma fortuna. Eu já paguei 95% de uma música, pra poder usar um trecho.

E tem algum outro jeito?
O que se tem feito muito lá fora e eu fiz com o Ivan Lins é, em vez de usar como sample, colocar como parceria. A gente divide os créditos em "Desabafo" e em "Abre Alas". A gente conversou e ele entrou de parceiro. Que é o que acho o mais correto mesmo.

E no caso de "Desabafo", você usou a versão da música gravada pela Claudia e, provavelmente, ela foi apresentada para uma galera que nunca a tinha ouvido.
"Qual É?" tem o sample de "Kabaluerê", de Antonio Carlos e Jocafi. Eles me contaram uma história interessante: o filho de um deles tinha 18 anos na época, isso já tem mais de 10 anos, e ele falou que, quando a música estourou, o filho estava em casa ouvindo. Ele falou: "Essa daí é minha, cara. É do seu pai." E o filho: "Tá de sacanagem. Não é?". Aí ele mandou: "Vê o crédito". O moleque tinha 18 anos e não conhecia o som do pai, tá ligado? E a Claudia voltou, né? Voltou a fazer show depois dessa parada. Deu uma luz na carreira dela.

É mais complicado conseguir a autorização de quem está na ativa ou da família?
O artista vivo geralmente é tranquilo. Com os filhos é que sempre tem problema. Eu entendo. Porque aquilo é o que o pai deixou pra ele. Eu não gostaria, por exemplo, que qualquer um gravasse "Legalize Já" ou "Mantenha o Respeito" depois que eu morresse. Vai que vira um sertanejo, um axé.

Você vê diferença entre o público de seus shows solo e o do Planet Hemp?
Uma diferença danada. O público do Planet Hemp é mais hardcore, né? Um pessoal mais contestador. A música é mais contestadora. São shows políticos. Além disso, no show do Planet não tem mulher. Puta merda, só macho.

Até hoje?
Até hoje! Tem oito, tá ligado? Sete mil pessoas e tem oito (risos). Cara, até tem mulher. Mas é que na frente do palco é só macho. Eu fico sacaneando os caras: "Porra, meu irmão, é foda. Andar com vocês só vem macho atrás." No meu show são aquelas sete, oito fileiras só de gatinhas na frente. Show do Planet tem roda, mosh... Mas é maneiro, é outra galera, outra expectativa de show. Tem essa coisa de jogar a energia pra fora mesmo.

Em 2010 você declarou que era impossível a volta da banda. O que mudou nesses cinco, seis anos?
O Planet Hemp é muito intenso, tá ligado? Quando a banda acabou, depois da prisão e tal, todo mundo ficou muito fodido um com o outro. Eu fiquei 10 anos sem falar com o Bernardo (Bnegão, vocalista da banda ao lado de D2 e líder do grupo Seletores de Frequência), sem trocar uma ideia. Houve discussões, brigas. Eu me arrependo profundamente, nós nos arrependemos. Nos reencontramos para um show em 2012 e, depois, em 2013 e 14. Falamos: "Vamos voltar, vamos fazer coisa nova". Estamos trabalhando em músicas novas. Nos reunimos toda semana para ir ao estúdio ensaiar. E aí é legal, estamos redescobrindo músicas que não tocávamos desde o Usuário, como "Porcos Fardados". E tem a coisa de virar amigo de novo, né? Porra, e tô me sentindo com 20 anos no show do Planet, pulando igual a um louco. Além disso, quando nos reunimos novamente em 2014, vimos que os caras da sua idade nunca tinham ido a um show. E foi incrível, por exemplo, em São Bernardo, 15 mil pessoas no show, e pô: "Levanta a mão aí quem já viu Planet Hemp?". Acho que só uns 15% levantaram.

Porque era proibido.
Era proibido pra menor. 15 anos atrás, quem foi? E aí, deu de novo aquele sentimento de ter algo relevante pra falar. As letras do Planet continuam superatuais. O que é uma merda. E, conforme fizemos shows, foi dando o sentimento de que eu queria escrever de novo com o Bernardo.

Você chegou a falar que muitas letras que vocês escreveram naquela época eram ingênuas. Ainda acha isso?
É ingênuo pra minha cabeça 20 anos depois. Para o moleque que tem a idade que eu tinha quando escrevi: "Fodam-se as leis e todas as regras", tá valendo. Pra mim, com 48, não tá valendo mais. Mas o legal é que era a força da juventude. Você acha que vai mudar o mundo mesmo. Alguns mudam, né?

Marcelo D2

Lá se vão 16 anos desde o último disco da banda e a discussão sobre a descriminalização e legalização das drogas já é bem mais presente. Qual parte do discurso mais radical do Planet você ainda acha relevante?
Eu acho que a coisa da violência. Que é o tráfico que traz, né? Isso ainda me soa com muita urgência. Tem uma porrada de moleques de 12, 13 anos com fuzil na mão. Polícia corrupta dando tiro pra cá, moleque dando tiro pra lá e bala perdida. Bala perdida que, na verdade, não é bala perdida. No momento em que o cara puxa o gatilho, ele está assumindo a responsabilidade. Ainda morre muita gente por causa disso. Outro dia os caras mataram cinco moleques com 120 tiros. Por quê? Porque a polícia é despreparada e superassustada também. Matar alguém com 120 tiros? É execução, né?

Mas você enxerga alguma mudança quanto à legalização?
No Brasil é muito difícil. Você faz um plebiscito agora e vai chegar um radical desses gritando: "Maconha mata!", e vai todo mundo sair correndo, sabe? É uma ignorância do caralho também. A gente ainda bota os Sarneys da vida lá. O Collor tá lá! Eu acho que ainda vai ter muita gente que vai ganhar voto e vai se estabelecer dentro da política usando essa máquina do medo. Eu fico impressionado como um cara na favela pode ser contra a legalização da droga. Porque o cara vive com a polícia e o traficante em cima dele. Não pode sair, não chega saúde, não chega escola, não chega nada porque ele vive numa guerra. O que o cara tinha que querer é tirar aquela porra de lá. Falar: "Meu irmão, quer se drogar? Vai lá na farmácia na Zona Sul comprar sua cocaína, sua maconha. Não enche a porra do meu saco, deixa eu tentar resolver a minha vida. Porque meu filho já não tem escola, não tem saúde, não tem saneamento básico, não tem porra nenhuma". Mas, porra, lógico que o cara vive num medo fodido. Ouve: "Olha, maconha mata!". Porra, meu irmão, polícia mata, traficante mata, saúde mata. Ignorância mata, né, cara? O Brasil foi um dos últimos países a acabar com a escravidão. Aqui a gente tem essa tradição de manter os ricos mais ricos. Vai ter que esperar aparecer alguém que tenha algum interesse nisso, uma Princesa Isabel da maconha. Vai ser a nossa princesa Maria Joana (risos).

O Paulo Miklos declarou em uma entrevista para a SEXY que, por problemas de saúde, parou de se drogar, de beber e de fumar. Paul McCartney mesmo falou que, depois que virou avô, parou com a maconha. Você se vê um dia largando a maconha?
Hoje eu fumo muito menos. Vi um vídeo do Dráuzio Varella falando dos efeitos das drogas na cabeça. Ele fala que com muito tempo de uso vai fazendo menos efeito. Por isso que maconheiro velho fala: "Maconha boa era no meu tempo". E não é isso. Na verdade, é que a porra da maconha não faz mais o mesmo efeito. A maconha é boa pra caralho, tô doidão aqui e o cara falando que não (risos)! Não sei se vou parar de fumar. E se eu parar de fumar não vai mudar a posição política. Hoje em dia tem aquelas canetinhas de canabidiol, sabe qual é? Vende na Califórnia e eu tenho algumas. É a canetinha só com o óleo. Tô usando isso pra caralho aqui. Porque ninguém sabe o que é. Aí, fumo em restaurante, fumo em qualquer lugar. Neguinho fala: "Que porra é essa?", e respondo: "Tô parando de fumar, é pra substituir o tabaco". Mas nada é pra vida toda. Acho que algumas coisas, quando elas não estão fazendo bem, vale a pena mudar.


"Não sei se vou parar de fumar maconha. E se eu parar de fumar não vai mudar a posição política."


Hoje em dia, você é até mais famoso por causa de sua associação ao samba. E foi em casa que você o descobriu, certo?
Dia desses eu estava entrando no restaurante e veio um cara: "O grande sambista Marcelo D2 (risos)!". Os meus pais são muito musicais, sempre foram. E quando eu era moleque não tinha som mecânico em casa, só ao vivo. Lembro que com 7, 8 anos eu morava no Andaraí e tinha um quintalzinho. Então, lembro da mulherada fazendo aqueles panelões. Era mocotó, peixada, rabada, essas coisas na panela e os caras tocando lá fora. Tinha um amigo que tocava violão, o resto tocava percussão, outros batucando na mesa. E teve também o subúrbio do Rio, né? Subúrbio do Rio é aquela coisa. Quando eu falo de Bezerra, cara, falo que tive três fases de Bezerra da Silva. A primeira fase, quando meus pais ouviam e eu não entendia porra nenhuma. A segunda fase, em que eu já entendia e cantava com os amigos na esquina da rua, querendo ser malandro. E a terceira fase, em que sou eu músico, amigo dele.

Pois é, você gravou um disco todo em homenagem ao Bezerra e sempre falou o quanto vocês eram chegados. Mas como foi a primeira vez que você o viu?
Quando comecei, exposição total, eu ligava para as pessoas. Não tinha rede social para vir se chegando. Aí, o Planet foi tocar pela primeira vez no Canecão. O nosso sonho era tocar no Circo Voador, o Canecão a gente nem sonhava. O Canecão era o templo dos grandes artistas brasileiros, né? E aí, na nossa primeira noite lá, já uns seis, sete meses depois do lançamento do Usuário, a gente falou: "Vamos convidar uma galera. Vamos convidar o Bezerra!". Arrumei o telefone dele e liguei: "Qual é, Bezerra? É o Marcelo D2". Ele respondeu: "É aquele da maconha? Me amarro no som de vocês!". Falei: "Vamos fazer um som?". Aí ele chegou lá, entrou no palco e não queria sair mais. Pô, dali ficamos amigos, cantando, conversando, fumando. Eu conheci mesmo ele cantando comigo.

O que sentiu nesse primeiro dia que ele subiu ao palco com você?
Porra, foi irado. Mas foi meio foda também porque eu fiquei meio tenso. Porque a galera gostou na primeira música, na segunda e na terceira. Mas na quarta e na quinta, o pessoal já tava meio puto: "Pô, volta o show do Planet Hemp aí!". Ele não saía. Ninguém tinha coragem de falar pro mais velho: "Pô, valeu, obrigado". Ele dizia: "Vamos tocar mais uma". E a gente: "Claro, Bezerra!". Depois a gente ficou superamigos. No dia em que meu pai morreu ele veio na minha casa, botou a mão no meu ombro, foi bonito pra caralho. Falou: "Sou seu amigo mais velho, se precisar conversar eu tô aqui".

O outro lado importante de sua formação foi o rap. Como foi que você o descobriu?
Meu pai comprou um disco do Afrika Bambaata, o compacto do Looking for the Perfect Beat, meio sem saber o que era. Porque ele gostou da capinha. Daí, o disco ficou pra mim. Eu devia ter uns 12, 13 anos. Quando eu era moleque, no começo dos anos 80, os bailes funk tocavam rap. Estava mudando do funk do James Brown para a música americana da época. Que era rap. E me lembro de ouvir Kurtis Blow, todos esses caras. Ouvia no baile e achava foda. Rapper?s Delight, do Sugarhill Gang, tudo isso. Mas, ao mesmo tempo, era muito difícil também. Você ouvir o Kurtis Blow era só sábado no baile. "Vamos lá no baile, aquela música é foda". E virava tudo melô, né? Era: "Melô do não sei o que lá". Tudo abrasileirava.

Além desses, tem algum outro episódio musical que o marcou?
Alguns. Em 1977, eu tinha 10 anos e fui ver James Brown no Maracanãzinho. O meu pai tinha black, o meu tio tinha black, todo mundo tinha black power. Essa cena é meio foda pra mim. James Brown talvez seja o meu maior ídolo. Mas eu acho que o que mudou mesmo a minha cabeça foi ouvir Raising Hell, do Run DMC, e Licensed to Ill, dos Beastie Boys. Esses discos eu falei: "Caralho!". Porque era tudo o que eu gostava na música, sabe? Rap e rock juntos.

O que falta para o hip hop brasileiro chegar de vez às massas?
Acho que a gente, cada vez mais, tem um mercado segmentado. Esse mainstream não fascina tanto quanto já fascinou. Porque o Criolo, por exemplo, tem uma carreira supersólida. Um público fiel, um público maneiro. O mainstream tá pasteurizado pra caralho. O sertanejo com quem o Planet brigava na época era o Chitãozinho e Xororó. Hoje em dia, eu vejo que era bom pra caralho se comparado ao sertanejo de hoje.


"Acho que para um moleque negro é melhor andar na Zona Sul e sofrer preconceito nos olhares do que andar pela Zona Norte e tomar porrada da polícia."


Você cresceu no Andaraí, na Zona Norte do Rio, e hoje vive entre o Leblon e a Gávea. Você vê alguma discriminação em relação aos moleques negros ou pobres nesses bairros, dois dos mais ricos da cidade?
Eu acho que o Rio tem menos isso do que São Paulo, por exemplo. Porque em São Paulo a periferia é muito longe. A gente tem o Vidigal aqui do lado, tem favelas em todos os bairros. Acho que preconceito social a gente vive na cidade inteira. O Rio de Janeiro ainda é uma cidade partida. A Zona Sul é totalmente diferente da Zona Norte. E a violência é muito maior na Zona Norte. Eu acho que para um moleque negro é melhor andar na Zona Sul e sofrer preconceito nos olhares do que andar pela Zona Norte e tomar porrada da polícia, tá ligado? Eu tive muito problema quando era mais moleque. Para pegar um táxi, por exemplo, era mais difícil. Eu sempre tinha que mandar a minha namorada: "Pega um táxi pra gente ir, aí". Até hoje em dia. Se eu estiver na rua e fizer sinal para um táxi, o cara só para se perceber que sou eu. "Ih, é o Marcelo D2", aí ele para. Se não, passa devagarinho e vai embora.

Mas você acha que cresceu o preconceito e a intolerância contra supostos menores infratores? Tem havido linchamentos.
Você acha que cresceu mais? Não sei. Hoje em dia, a gente tem mais consciência e, quando acontece, a gente se assusta mais. Antigamente era normal pegar um moleque na rua roubando e meter-lhe a porrada. Na minha época, pegou roubando na Zona Norte a polícia mata. Costumo falar que vim da parte onde "os cana mata". Não sei se é porque estou ficando mais velho, mas acho que as coisas têm melhorado. Eu acho que a questão do preconceito racial e social melhorou um pouco, sim. Porque, hoje em dia, em alguns casos é até crime, né? Mas, claro, quanto menos ignorância, menos preconceito. As pessoas têm medo do desconhecido. Medo de gay! Medo de preto! Medo de pobre! Medo de não sei o que lá! E acaba gerando o preconceito. Mas, pô, você viu um outro dia o Chico Buarque aqui no Leblon, na área dele, foi superagredido por uma porrada de playboy. Tá ruim pra todo mundo.

E você, quando moleque, levava muita dura da polícia?
Muita. Aquela coisa de te levar pra delegacia e: "Peraí, seu guarda, vamos resolver aqui". Perdia o tênis, perdia o relógio pra polícia. Minha vida de adolescente foi terrível. Nos anos 90 a polícia no Rio de Janeiro era muito violenta. Ainda é, né? Mas nos anos 90 era muito sinistro.

Vi que você serviu o Exército. Como foi a experiência?
Foi horrível. Dez meses, quinze dias e sei lá quantas horas. Caralho, foi contadinho. Porra, fui preso fumando maconha, né? Tava de guarda, na guarita lá do canto, armado. Os moleques vieram, uns parceiros meus, e a gente foi pro meio do mato fumar um e chegou o sargento com mais dois gritando: "Bota a arma no chão! Não pode fumar maconha!". Fui lá pra Deodoro, fiquei lá oito dias, detido. Aí voltei. O capitão gostava de mim porque eu jogava bola direitinho, jogava no time do quartel. Aí o capitão virou e falou: "Olha, você vai pra casa, dá uma descansada e volta porque você não vai mais sair na primeira baixa". Era pra sair em outubro e, daí, eu sairia só em dezembro. Fui pra casa e falei: "Não aguento mais. Não vou voltar nessa porra nunca mais". Meu pai falou: "Você tá maluco, você já serviu dez meses, falta só mais dois. Você vai ficar com o nome sujo?". Respondi: "Foda-se, meu irmão". Se faltasse sete dias era desistência. Aí o capitão mandou os caras me buscarem em casa. Maior vergonha. Eu cheguei lá e o capitão falou: "Porra, meu irmão, você quase foi desertor". Respondi: "O senhor falou que eu não ia sair na primeira baixa e, aí, eu não aguentei. Me desculpe, mas eu não vou ficar nisso aqui, não". Aí ele falou: "Pode deixar, eu vou te tirar na primeira baixa".

Marcelo D2

O que você achou de 2015 no Brasil? Escândalo na Petrobras e Operação Lava Jato, políticos e empresários sendo investigados e, em alguns casos, presos...
Acho que não vai mudar porra nenhuma. Roubar no Brasil é um puta bom negócio. O cara rouba 350 milhões, devolve 100 milhões, gasta 50 com o advogado e fica com 200. Tá ótimo. Quem não quer um negócio desses? É bom pra qualquer um. Porra, é meio triste. Eu não vejo uma solução a curto prazo. Porque, quando você vê um país onde a escola pública é um lixo e as escolas particulares também, complica. Porque o ensino no Brasil tá uma merda, superarcaico. Quem vai querer mudar a educação, cara? Você acha que as famílias do Nordeste, as famílias ricas, que dominam a política e detêm quase todo o patrimônio, vão querer dar ensino pro povo? Pro povo começar a ver que eles estão roubando? Acho difícil. Acho que, enquanto não melhorar a educação, isso tudo que tá acontecendo aí é boi de piranha.



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