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Ronnie Von

Ronnie Von descreve a época em que, por falta de grana, comia ovo frito e pão com mortadela, revela que gravou a contragosto 85% de suas músicas e conta a história de quando se apaixonou por uma amiga da mãe e do chifre que o levou a ficar enjoado toda vez que via uma mulher nua

por_ Juliano Coelho e Bianca Castanho / fotos_ Jonas Tucci


Ronnie Von

Como é viver nessa casa imensa (a casa de Ronnie tem 3 mil metros quadrados)?
Fiz essa casa para estar com meus amigos porque não gosto de sair. Prefiro tomar uma surra, de ir para o hospital, do que ir para um evento. Odeio com toda a força!

Por que essa raiva de festas?
É difícil descrever uma coisa emocional. Eu não gosto. Garoto ainda, todo mundo ia em festa, balada, boate e eu estava fora. Prefiro um bom livro, minhas coisas, pesquisa com planta, música, carro antigo, aviação. Preenche o meu tempo.

Um de seus filhos também é músico, né?
Eu fiz de tudo para dissuadir meu filho mais novo a não se envolver com música. Tá, deu certo comigo, mas há nuances bastante sórdidas nesse negócio. Não depende de você. Eu tentei dissuadi-lo porque sabia que ele ia sofrer. Falei para fazer uma faculdade, e ele fez propaganda e marketing. Insisti, ele fez pós-graduação, mestrado. Ele pegou tudo (os diplomas e certificado), me deu e disse "Tudo bem, pai? Agora sou músico". Disse pra ele não fazer isso com ele mesmo. Ele é um intelectual, o que ele ia fazer com música? Acabou esse mercado, não existe mais! Ele me disse que era uma questão de conceito. Meu pai estava junto, e ele me disse: "Não cometa com o meu neto a imprudência que eu cometi com você". O céu desabou na minha cabeça. Meu pai havia preparado um sucessor para o negócio dele. Eu já trabalhava com o título de "diretor-adjunto" na época. Sabe o que era isso? Absolutamente nada. Tinha carro zero na garagem, mas sem poder dirigir porque não tinha dinheiro pra gasolina. Ganhar a geladeira é fácil, o problema é manter ela cheia, né?

Você já tinha uma relação com a música?
Sim. Meu pai era ministro plenipotenciário em Londres, então eu tinha os discos dos Beatles no mínimo seis meses antes de chegar aqui. Quando meu pai trazia os discos, eu copiava para meus amigos em fita. Isso fez com que eu conhecesse um grupo cover de Beatles, o Brazilian Bitles. Um dia eles me convidaram para ir ao show e eu fui. De repente um cara me chamou no palco. Eu fui embora de medo, mas eles me pegaram e me jogaram no palco. Aquela coisa de: "Canta! Canta! Canta!", e cantei "You've Got To Hide Your Love Away", do filme Help. Me senti um astro. Quando desci, tinha um jovem diretor de gravadora, chamado João Araújo, o pai do Cazuza. Ele perguntou se eu queria fazer um disco. Eu disse que de jeito nenhum, minha família me mataria. E ele começou a perguntar: "Quem, fulano, filho de cicrano?". Porque o Rio tem 10 famílias. Essas 10 famílias se frequentam, sabem da vida uma da outra. E daí resolvemos fazer uma experiência, uma faixa em inglês e uma em português.

Aí tocou na rádio e sua família ouviu?
Tinha um programa de rádio chamado Disco Estrelinha, na Rádio Tamoio. Era um programa que toda a garotada gostava de ouvir porque as novidades tocavam lá. Um dia, eu estava voltando para casa, liguei o rádio e comecei a ouvir eu mesmo cantando. A minha perna começou a tremer. Tive que encostar o carro. Foi uma das maiores emoções da minha vida. Cheguei em casa e liguei para todos os meus amigos. Nesse dia, ninguém tinha ouvido o programa! Mas quem ouviu foi minha tia-avó, matriarca da família. Aí foi aquilo de: "Onde foi que nós erramos? Vai jogar o nome da família na lama". Ela falava que eles haviam criado uma cobra para picá-los, foi um tribunal da família. E meus amigos achando que eu estava fazendo música de cabeludo, música que não era engajada. Onde já se viu fazer rock'n'roll? Na época eu fazia parte da esquerda escocesa, aquela que só toma uísque 12 anos. Ou a esquerda francesa também: só Don Peringnon nas coberturas de Ipanema. Eu fiquei sem o suporte dos amigos, a família virando as costas... Aí vim para São Paulo.

Como foi mudar pra São Paulo?
Fui morar em um hotel ali na Boca do Lixo, que hoje foi invadido pelo MTST. Meu sonho era atravessar a rua e ir no Filé do Moraes - mas eu não tinha dinheiro pra isso. Acostumado a almoçar no Copacabana Palace e de repente eu não podia comer o filé! O que eu mais comia era ovo frito e sanduíche de mortadela. Os caras falam que eu sou todo alta gastronomia, não entendem como eu gosto demais de ovo frito e mortadela.



Ronnie Von


Quando as coisas começaram a dar certo?
Eu fiz o programa de televisão, chamava BBC Show, na TV Excelsior. Esse programa passou em videotape em São Paulo, e a produção do Agnaldo Rayol estava reunida na casa dele. Eles viram, perguntaram quem eu era e fui fazer o programa de maior audiência no Brasil, o Corte Rayol Show, do Agnaldo Rayol e do Renato Corte Real. E a coisa começou a crescer. Eu ia ser contratado pela Excelsior. Aí o Paulinho Machado de Carvalho (ex-dono da Record) foi na minha casa para me dissuadir, e eu acabei assinando com a Record. Antes de morrer ele me disse: "Você foi contratado para ser anulado, para ficar na geladeira, porque o seu programa ia entrar no domingo, no mesmo horário da Jovem Guarda". Tanto que eu nunca fiz o programa da Jovem Guarda.

Era o mesmo horário da Jovem Guarda?
Eu iria concorrer, mas acabei ficando no sábado. Mas quem fizesse o meu programa jamais faria a Jovem Guarda. Isso fez com que eu criasse um cast paralelo.

Mesmo assim você ficou com esse rótulo de cantor da Jovem Guarda...
O Brasil é um país rotulador, não tem como mudar esse tipo de comportamento. É cultural. Você só pode ser uma coisa apenas, nunca duas, você não pode ser múltiplo. Então, até hoje é o "Ronnie da Jovem Guarda". Antigamente eu arrancava a calça pela cabeça! Eu surgi na época e eu era pouco resistente, mas eu era ingênuo, queria uma coisa mais inglesa. Tanto que eu estreei o programa na Record sem cast. Eu tinha uma amiga que era fanática por Beatles. Aí eu liguei pra essa minha amiga e ela me disse que eles tinham uma bandinha chamada O'Seis, e que estava ficando com três?

Essa amiga é a Rita Lee, né?
É Ritinha, minha queridinha. Era Ronnie e Os Mutantes fazendo o programa, e deu certo! A garotada que tinha uma cabeça mais inglesa gostava da gente.

Sua relação com o pessoal da Jovem Guarda ficou boa?
Claro, o Erasmo, querido meu até hoje, a Wanderléa também. Era o tal negócio do rótulo, é muito forte. Para nós todos da época, com esse viés esquerdizante, a história vai muito em cima da Jovem Guarda do Lênin (a expressão "Jovem Guarda" vem de um discurso do líder soviético Lênin). É um nome muito forte. Nós que trabalhamos com comunicação temos esse viés esquerdizante. Eu duvido que tenha alguém aqui que não seja simpático ao socialismo. E um socialismo que existe hoje, não aquele pós-Revolução Industrial. O que me incomoda é a xenofobia. Nos Estados Unidos, por exemplo, eles não fazem o trabalho braçal, e quem faz é o imigrante. Só que ele não pode entrar no país. É paradoxal. Esse débil mental, esse topete pintado de loiro do Partido Republicano (Donald Trump) resolveu gastar 8 bilhões de dólares em um muro. Espera: o que era New Mexico? Arizona? Califórnia? Era tudo México! Agora os caras não podem entrar no que era deles! Eu sou cidadão do mundo, acho que a estupidez humana criou barreiras. Claro, não vamos receber bandoleiros, safados, mas falar que todo mexicano é bandido? Dá um pau nesse cara!


"Seguramente 85% das coisas que eu gravei foi sem querer."


Você foi assaltado recentemente, né?
Uma coisa que me irrita muito é que todo mundo fala que o Morumbi é perigoso. Nunca vi nada no Morumbi, mas nas cercanias, sim. Qual é o louco que vai se meter com meu vizinho, que tem 16 seguranças com formação em armas bélicas? Meus vizinhos têm oito, quatro... Eu tenho um, que só vem à noite. O bandido sabe que é cercado de segurança,que se ele passar com carro suspeito está perdido. Então eles te pegam nas entradas. Fui assaltado na Marginal, voltei a pé pra casa, escândalo nacional, todo mundo viu. Não tem polícia, não tem vontade política... Me diz, qual foi a cidade mais perigosa do planeta? Nova York. Qual é o lugar mais seguro do mundo hoje? Nova York. Três pessoas, meia-noite, conversando na rua, vão em cana. E isso acabou acertando, ninguém tem mais medo de sair na rua. Esse meu filho que mora lá, nós estavámos saindo e eu gritei que ele não tinha trancado a casa. Ele me olhou perplexo e falou que ninguém trancava. Me senti ridículo, porque não existe isso lá. Um dos crimes mais complicados é invasão de domicílio, é cana braba, 20 anos. Outra coisa, se o cara entrar na sua casa e você matar, tudo bem. É aquela coisa: "Get out of my property". Aqui o direito humano é... cadê o direito humano para mim, que fui assaltado, para minha esposa, que não quer mais sair de casa? Essa casa ferveu quando fui assaltado. Chegaram uns delegados com várias fotos para eu reconhecer. É claro que você não vai reconhecer... O próprio cara, quando viu quem eu era, disse: "Sujou! sujou! Olha lá quem é", e foram embora, mas levaram tudo o que a gente tinha e deixaram o carro na porta de delegacia, porque sabiam que o negócio ia ficar feio. É uma outra coisa, e se você fala isso e aquilo, você é preconceituoso. Não é preconceito você ser assaltado o tempo todo! O Brasil ficou um lugar impossível, você sai sem saber se vai voltar. Sabe qual a estupidez que eu tive que fazer? Por causa da Kika, o amor da minha vida, tive que comprar um carro blindado. Pode me fuzilar, mas o meu eu não blindo. Só que ela só sai de carro blindado.

Já pensou em morar fora do Brasil?
Meu filho disse que foi para um restaurante nos Estados Unidos e depois tiraram os sapatos e foram passear na areia. Eu fazia isso em Copacabana quando era o lugar mais charmoso do mundo. Hoje, se fizer isso, vão levar meu sapato, meu relógio e dar um tiro na minha cabeça. Mas como é que eu vou sair do Brasil, sendo brasileiro, querendo ajudar, dar um pouco mais de mim? Não me sinto confortável. Às vezes povoa a cabeça a vontade de ir para um lugar que você sabe que vai voltar. Mas, falando da Jovem Guarda, tudo o que surgia na época que não fosse MPB, já entrava na Jovem Guarda. Eu ficava doente quando vinha o "Ronnie da Jovem Guarda", mas aí a gente aceita, é vox populi (voz do povo).

E você se enquadrou nisso?
Continuei nessa estrada, mas contrariado. Sou filhote de gravadora, não nego. Devo tudo à gravadora, pois eu era profundamente ignorante, como até hoje.

Ignorante como?
De show business. Não tenho a visão mercadológica para isso. Eu sou um produto, e tenho absoluta consciência disso. Era pura e simplesmente: "Ronnie, grava isso aqui que isso vende", e aquilo me doía o coração. Seguramente 85% das coisas que eu gravei foi sem querer. Tinha que obedecer a um rigor profissional que me era "aconselhado", mas sempre infeliz. Um dia, trocou-se a chefia da minha gravadora, que era a Philips Polydor, e eu fiquei sem o presidente porque ele foi transferido. A empresa ficou um mês acéfala, e na época você tinha que cumprir uma obra. Então entrei no estúdio com Arnaldo Saccomani, um dos produtores mais antenados em música, e Damiano Cozzella, um dos maiores gênios também, e fiz um disco (A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nuncamais) que foi considerado o disco de rock psicodélico mais importante do mundo. Coitadinho de mim, eu aqui no meu cantinho e a coisa foi descoberta pela garotada e de repente virou um cult.

Isso mostra que você era totalmente do lado da guitarra elétrica, né?
Sim. E isso não podia, era impossível! Tinha passeata contra a guitarra elétrica! Mas fiquei encantado com a junção da MPB com a guitarra elétrica. Foi uma coisa muito forte, mas eu estava contrariando interesses econômicos. Meus empresários me dissuadiram daquilo.

Como enxerga a produção musical hoje?
Como meu filho queria, fui sondar o mercado. Quem me pediu menos para administrar a carreira dele, pediu R$ 5 milhões. Fui fazer um programa de um amigo meu e apareceu um artista. Perguntei se ele havia ficado louco por comprometer o programa e a emissora ao trazer uma tralha daquelas. Ele falou para eu bater na boca, por trás daquilo tinha 11 milhões de investidores. Hoje é um dos grandes sucessos no Brasil. Funciona assim.

A tralha você não vai falar quem é?
De jeito nenhum! Praticamente todo mundo é assim. Tem essa veiculação brutal em rádio, TV, um monte de shows...Mas tem um cara que investiu pesado e quer ver resultado. Isso que me fez parar de gravar, cantar e fazer show. Profissionalmente, não quero mais saber desse negócio de música. Perdi o encanto. Você chega para o Pablo Picasso e diz que ele tem que pagar tanto para colocar o quadro dele na parede. É a mesma coisa! Chega uma hora que você desiste.


"Passei uma época muito difícil, quando descobri que uma namorada havia pegado todos os meus amigos. De repente, eu não podia ver mulher nua que tinha ânsia."


Como era ser um símbolo sexual estando solteiro naquela época?
Casei muito cedo, com 19, e me separei com 30. Havia cuidados que você tinha que tomar, tinha que ter muita cabeça porque o assédio era feroz.

Rolou o clichê de ter mulher no armário?
Onde quer que você estivesse! Claro, isso de você chegar no hotel e ter menina dentro do armário era verdade. Debaixo da cama... Já acordei com uma menina embaixo da cama, eu casado com a minha primeira mulher! A menina tinha 16 anos, a família desesperada. Mas a pior sensação que já passei na minha vida foi quando arrancaram a minha roupa inteira. Foi um mega trauma, imagina você na guia pelado, como Deus te criou. O pau comendo solto, aquele bando de mulher.

Era complicado ser símbolo sexual, mas você dava seu jeito, né?
Sim! Coisas complicadíssimas porque eram pessoas conhecidas, algumas artistas, outras nem tanto, jornalistas, gente ligada ao nosso ambiente. Amigas de casa... Fora as barbaridades, as amigas da minha mulher. Hoje isso me incomoda muito. Eu liguei para ela e disse: "Me perdoa", e ela me disse que não tinha que me perdoar pois não tinha feito nada, a vida que tinha nos feito. Mas foi uma época promíscua para mim, para dizer o mínimo. A época em que eu fiquei solteiro, mamãe! A partir daí eu errei em tudo, com namorada, tudo! Até que me casei com minha melhor amiga e deu certo.

Como você respondia ao assédio?
Eu tenho um comportamento feminino. Eu não beijo a boca de uma mulher que eu não conheço. Não me sinto confortável. Conheceu, bateu um papo, tem um mínimo de envolvimento, ok, mas antes sem chance. A boca tem mais bactérias do que uma vagina, porque ela tem defesas! Outro comportamento é que eu não consigo dividir. Não sei se eu entro em culpa, mas eu não consigo ter duas ao mesmo tempo. Um dia, algumas horas, tudo bem, mas levar duas ao mesmo tempo vai ser estranho. Só isso. E o pior é que eu sou casado com minha confidente, minha melhor amiga, que já me arranjou namorada! Ela sabe tudo o que eu fazia, tem esse conforto. E ela sabe que não existe competidora para ela, principalmente na horizontal. Fui um bom professor. Ela era bobinha, uma freirinha. É chato que de repente passa uma moça e ela só me olha, fico pequenininho (risos). Mas para ser muito honesto, não havia nisso um resquício de felicidade.



Ronnie Von


Poder pegar qualquer mulher do Brasil... Não houve um resquício de felicidade?
Não. Fui canalha o suficiente para me arrepender o resto da minha vida, com moças que eram casadas. Não que eu conhecesse o marido, mas quanta gente casada! Também fui traído brilhantemente. Essas histórias não me trouxeram felicidade. Vejo o mundo com olhos de mulher. Você precisa gostar muito daquela pessoa. Não precisa amar, mas sentir algo para te dar felicidade. Passei uma época muito difícil, quando descobri que uma namorada havia saído com todo mundo e mais um pouco. A Hebe me alertou, dizia para eu tirar aquela vagabunda da minha vida. Fiquei muito mal. Ela pegou todos os meus amigos! E eles, em vez de me avisar, ficaram quietos. Todo mundo se deu bem. E, de repente, não podia ver mulher nua que passava mal, tinha ânsia. Achei que estava perdido, que fosse ficar assexuado. Tinha 32 ou 33 anos. Aí um amigo tinha um barco lindo, queria me fazer bem, encheu de modelo e atriz, todas de topless e eu passando mal, enjoado.

Como essa fase terminou?
Revi uma amiga minha de muito tempo, e ela sabia dessa história. Almoçamos no Copacabana Palace uma vez, na época em que eu morei lá com um descontinho de 90% da tia Mariazinha Guinle. Essa moça, uma francesa, foi me levando a me reencontrar. Até o momento em que nós ficamos 10 dias trancados dentro do meu apartamento e não saíamos nem para comer. Essa moça salvou a minha vida. Foi uma terapia sexual. Ela estava noiva na França, foi um nível de complicação alto. O cara era uma cabeça coroada de lá. Eu fiz muitas bobagens. Aos 18 eu me apaixonei por uma amiga da minha mãe de 42 anos, recém-desquitada. Fui para a casa dela de mala e cuia. Sabe a história do Ensina-me A Viver (filme de Hal Ashby)? Essa moça foi de muita importância, me ensinou a arte. Era a companheira de bridge, e um dia na mesa estava todo mundo jogando, e eu sentado só senti o pezinho dela no meu. Fiquei roxo de vergonha. Nesse dia, ela pediu para acompanhá-la até em casa. Me chamou para subir, mas neguei. Isso aconteceu mais uma vez, e eu subi, tomei um café e nada. Na terceira subi mesmo, e no dia seguinte levei a minha mala.

Foi uma revolução, né?
Revolução foi minha mãe! Ela dizia que a amiga tinha "aliciado o meu menino". Fiquei mal, imagina ter que sair. Eu era apaixonado por ela! Na época, a moda era aquela moça que hoje é considerada acima do peso, com cintura, corpão. De lá para cá, o meu modelo de beleza não chega a ser renascentista, mas se aproxima. Acho que foi por conta disso. Já fui casado com mulher magra, mas faltava um certo volume. Olha o meu Picasso (mostra a obra, original), é uma mulher volumosa.

Quando você citou a Jovem Guarda, você não falou do Roberto...
Na época eu não tinha nenhuma relação com ele, hoje eu tenho, mas antes era zero. Ele era intocável e impossível de se falar. Já o Erasmo frequentava minha casa, a Wanderléa também. Hoje eu sou uma pessoa absolutamente feliz. Fui um cara de grandes recursos, mas a primeira geração da minha profissão a ganhar dinheiro foi a minha. Aí vem separações e você vai empobrecendo, os saques de empresários, sócios... Mas o importante é o meu galinheiro com o Neymar, a Oprah, o Arnold Schwarzenegger. Meu jardim, meus peixinhos, meu pomar, uma mulher por quem sou enlouquecidamente apaixonado, uma família legal e bons amigos. Tenho tudo o que me basta.




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